Objetivo da explicitação da cobertura não exaustiva
Este artigo tem como objetivo esclarecer, de forma metodológica, por que a observação do residencial em Luanda não pode ser considerada exaustiva. A explicitação destes limites é essencial para evitar leituras que tratem dados observáveis como representação completa da realidade habitacional urbana.
Fontes de informação e seus limites intrínsecos
A cobertura disponível baseia-se em fontes de visibilidade pública, como anúncios residenciais. Estas fontes são, por definição, seletivas e condicionadas por práticas de publicação, acesso a plataformas e decisões individuais dos anunciantes. Não existe, neste enquadramento, um mecanismo de captação universal do parque habitacional.
Segmentos fora do campo de observação
Uma parte significativa do residencial urbano pode permanecer fora do campo de observação por não recorrer a canais formais de listagem ou por operar sob regimes de informalidade. A ausência de registos não indica ausência física ou funcional, mas apenas ausência de visibilidade nos canais observados.
Implicações para a leitura estrutural
A cobertura não exaustiva impõe limites claros à interpretação estrutural do residencial. Padrões observáveis não devem ser tratados como distribuições completas, nem presenças visíveis como representativas do conjunto urbano. A leitura metodológica deve reconhecer lacunas e zonas de silêncio informacional.
Função metodológica do reconhecimento da incompletude
Reconhecer explicitamente a incompletude da cobertura funciona como salvaguarda analítica. Esta postura metodológica mantém a coerência entre dados utilizados e conclusões admissíveis, preservando a distinção entre descrição condicionada e inferência indevida.
